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“Sras. e Srs. passageiros… Tenham todos um bom final”

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Veja - 1989

Veja – 1989

Essas foram as últimas palavras do então comandante da VARIG, César Augusto Padula Garcez, à sua tripulação e passageiros a bordo, antes de um pouso forçado em plena selva amazônica, devido a uma pane seca, causando a morte de 13 passageiros. Um trágico acidente, que mudou a história dos transportes aéreos no Brasil.

Essas foram as últimas palavras do então comandante da VARIG, César Augusto Padula Garcez, à sua tripulação e passageiros a bordo, antes de um pouso forçado em plena selva amazônica, devido a uma pane seca, causando a morte de 13 passageiros. Um trágico acidente, que mudou a história dos transportes aéreos no Brasil.

Na aviação civil contemporânea, imaginar que uma aeronave pode se perder sobre uma floresta e fazer um pouso forçado por falta de combustível, parece uma probabilidade irreal, típica de ficção científica. Porém, há pouco tempo atrás, foi exatamente isso que aconteceu com o Boeing 737-200 da VARIG com 54 pessoas a bordo. O voo 254 de matrícula PP-VMK tinha uma longa missão pela frente, sairia de São Paulo/Guarulhos no dia 3 de setembro de 1989 com destino a capital paraense, realizando pelo caminho, seis escalas e uma troca de tripulação em Brasília. O último trecho ligaria as cidades de Marabá a Belém e estava previsto para durar no máximo 50 minutos. Em sua folha de planejamento de voo, o comandante Garcez leu o rumo magnético “0270”, porém, equivocadamente ele e o co-piloto ajustaram o valor no equipamento do avião para 270° (sentido oeste). O rumo correto que deveria ser ajustado seria o 027°.

Após decolar às 17h35 min do aeroporto João Correa da Rocha na cidade de Marabá, o Boeing continuou seguindo a proa magnética 270° que havia sido programada. Desta forma, a aeronave navegou por várias milhas à deriva sem encontrar o seu destino, Belém. O voo deveria ter chegado às imediações do aeroporto de Belém por volta das 18h20. Dado o tempo estimado de voo, o PP-VMK tentou a comunicação com o controle de aproximação (APP) de Belém, porém, só conseguiu através de uma “ponte” realizada por outro Boeing da VARIG, por volta das 20h30min.

Como o voo não chegou nos 30 min subsequentes à hora prevista da aterrissagem, foi declarado pelo centro de controle de área (ACC) de Belém uma situação de “Incerteza”. Somente 4h após a decolagem, foi declarada a fase de “Perigo”. Por mais que o piloto quisesse esconder que estava perdido, já estava claro para todos que havia algo muito estranho com aquele voo. A dificuldade de comunicação com Belém, aliada ao não avistamento da cidade no tempo estimado indicaram possíveis erros de navegação.

PP-VMK

PP-VMK

Em entrevista ao jornal O Globo, em 10 de setembro de 1989, o comandante do RG -254 revelou que duas semanas antes havia se envolvido em pequeno acidente, em Paramaribo, no Suriname. Naquela ocasião, de acordo com suas palavras, à noite, no pátio dentro da área de manobra, a ponta da asa da aeronave que conduzia raspou uma escada que seria utilizada pelos ocupantes de outra aeronave que estava pousando. Afirmou também que, em conseqüência das pressões que a VARIG vinha exercendo sobre os pilotos, ficou receoso quanto à possibilidade da companhia demiti-lo, caso revelasse um novo problema, dessa vez, um avião perdido entre Marabá e Belém.

Finalmente, após voar por mais de 3h seguidas, os dois motores se apagaram, e o Boeing que já não conhecia a sua localização exata, agora era obrigado a fazer um pouso forçado por falta de combustível. O local do pouso foi escolhido pelo comandante, após o mesmo encontrar uma espécie de clareira na mata, uma área de floresta localizada a 60 km ao norte de São José do Xingu. Durante a desaceleração súbita do pouso, dos 109 assentos para passageiros, apenas 7 permaneceram no lugar, o resto se soltou, amontoando-se e causando muitas mortes. Após o impacto, quatro sobreviventes caminharam por 40 quilômetros selva adentro em busca de ajuda, até encontrar uma fazenda da região. Um Bandeirante da FAB encontrou os destroços do PP-VMK às 16h25min do dia 5.

O Boeing 737-200 após o pouso forçado

O Boeing 737-200 após o pouso forçado

Havia a suspeita de que os tripulantes do PP-VMK estivessem distraídos ouvindo o jogo do Brasil contra o Chile, uma vez que o próprio comandante havia informado o placar atualizado, durante o voo. No entanto, o erro de navegação foi descoberto posteriormente. Meses após o acidente, o mesmo plano de voo do VARIG 254 foi entregue a 21 pilotos das principais companhias aéreas do mundo. Nada menos que 15 pilotos cometeriam o mesmo erro da tripulação do voo 254.

O relatório final atribuiu o acidente a erro humano. O comandante Garcez foi condenado a 4 anos de prisão. Uma condição psico/emocional abalada e a falta de gerenciamento de riscos – CRM (que na época não existia) contribuíram expressivamente. Porém, as deficiências do plano de voo da VARIG e a falta de um monitoramento aéreo eficiente contribuíram significativamente para a materialização do acidente.

Deste modo, após o referido acidente, a VARIG instalou em suas aeronaves sistemas de navegação de alta precisão, como o ômega e o inercial, com o objetivo de evitar os equívocos que levaram ao desastre do voo 254.

Confira uma reveladora entrevista com o co-piloto do voo 254:

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Este artigo foi escrito por Caio

Piloto Privado em formação e estudante de engenharia na UFBA . Você pode encontrar Caio Balthazar no facebook.

11 comentário:

Pedro Ivo28 de abril de 2013 at 20:57Responder

Esse Garcês é muito arrogante!

Eurenice Magalhães4 de maio de 2013 at 16:20Responder

Dizem que os pilotos sofrem grande pressão mesmo. É a velha luta e labuta do capital e do trabalho.

Carolina Lisboa3 de novembro de 2013 at 1:06Responder

Para náo responder pelos procesos que as famílias tëm contra a empresa, se coloca toda a responsabilidade no “erro humano” cometido, supostamente, por Garcez. Se o método utilizado facilitava ese tipo de erros, a culpa é da empresa, pois é ela quem tem que facilitar as ferramentas adequadas para que sua equipe trabalhe. Sáo principios básicos do Direito que qualquer advogado tira de letra !
O que é que vocës acham ? É mais fácil asumir a culpa e pagar milhares para as famílias e assumir outros casos abertos pelo mesmo tipo de problemas, ou colocar a responsabilidade no piloto, quem vai responder com seu patrimonio pessoal e com anos de cadeia??? Que dúvida, né???
E para Pedro Ivo: tive a imensa felicidade de conhecer pessoalmente o sr. Garcez e posso garantir que a arrogancia náo faz parte de mais que carismática personalidade !
Garcez já teve o suficiente com as mortes que se produziram e com tudo o que teve que pasar depois deste acidente… que é lógico, ninguém conta, e nem interessa, náo é mesmo ? A mim sim me interessa ver como os brasileiros tëm a mentalidade completamente manipulada e náo usam buscam nunca conhecer a VERDADE, náo o verso.

Caio Balthazar5 de novembro de 2013 at 0:58Responder

Na minha humilde opinião como escritor e entusiasta, a culpa foi compartilhada pela companhia aérea e sim, comandante responsável pelo fatídico voo.
É perfeitamente compreensível que haja uma tendência em responsabilizar o Cmte. Garcez tido como “o mais fraco da disputa”. Essa tendência não descredibilizaria uma gigante empresa aérea como a Varig e satisfaz pressões populares que buscam efetivos culpados!
Foi o que ocorreu neste famoso caso em Munich:

(http://en.wikipedia.org/wiki/Munich_air_disaster)

Há de se levar em consideração que este acidente seria evitado sim (ou ao menos mitigado) caso Garcez resolvesse em um surto de racionalidade solicitar regresso a SBMA ou pedir ajuda ao seu copiloto.
Procurei deixar bem claro no texto a minha visão imparcial, expondo ambos os lados da moeda (um plano de voo confuso e um comandante autoritário) porém fico muito feliz que nossos amigos lusitanos estejam aqui para nos mostrar a VERDADE absoluta!
Um abraço!

Josi Tinin7 de abril de 2014 at 13:18Responder

Olá Carolina,
Acredito que um erro foi cometido e alguém já pagou por ele. O que analiso hj são formas de que esses erros sejam creditados a quem de fato os mereça. Estou fazendo minha defesa de curso em Ciências Aeronáuticas e gostaria de saber mais sobre a sua opinião. Caso possa me ajudar, ficaria muito agradecida.

carolina lisboa3 de novembro de 2013 at 1:09Responder

Perdoem os erros de portugués, é do programa da minha pc que náo reconhece o idioma. Obrigada.

Fernando Mendes2 de março de 2014 at 23:26Responder

Arrogante o Garcez? Jamais. No máximo ele foi teimoso e dominado pelo temor funcional, que em bom português significa medo de perder o emprego. Garcez foi dominado pela “fascinação da atenção”, o mais sério dos bloqueios psicológicos que acometem as pessoas diante de uma iminente catástrofe. Prova disso são as palavras desconexas “pane de desorientação”, “eu não tinha a indicação de Belém”, “agente ficou voando entre Marabá e Belém” , “tenham todos um bom final” e por ai vai. A pessoa fica tão aterrorizada que parece estar fora daquele quadro, vendo tudo como se fosse um filme. Não fala coisa com coisa. A Varig também tem (ou teve) responsabilidade no ocorrido, pois elaborava um Plano de Voo – no mínimo – duvidoso. A proa a ser seguida era formada por 4 dígitos, embora o último fosse decimal. Sendo decimal, era obrigatória a presença de virgula ou ponto ou traço. Assim estava impresso na navegação: 0270; assim deveria vir impresso: 027-0. Agora, aqui entre nós: porque esse quarto dígito? Qual a função dele? Por mais experiente e treinado que seja um piloto, um dia isso daria merda; e deu. Oito pilotos da Varig cometeram o mesmo erro de proa que o Garcez cometeu. Porém como voavam em áreas cobertas por radares, os erros foi retificado a tempo. Garcez não teve a mesma sorte: voou numa área sem cobertura de radar. Por isso que, mesmo sem ver o VMK, a Torre Belém mandou Garcez prosseguir na descida e deu “livre pouso”. A sequência de culpados é grande. Na mesma noite do acidente, a Varig – na calada da noite – expediu um Telex alertando os pilotos de 727, 737 e 767 para ignorar o quarto dígito, por se tratar de um decimal. Um mês depois, a Varig baniu esse famigerado quarto dígito. O que a Varig fez chama-se CONFISSÃO DE CULPA. Carolina Lisboa discorreu muito bem em seus comentários a respeito da culpa que jogaram (toda) nas costas do Garcez. Ele não foi o único culpado. Pelo menos na minha avaliação.

Gisele7 de maio de 2014 at 21:55Responder

Bom, por tudo que li e assisti referente ao triste episódio, tanto a VARIG quanto o Cmte Garcez tiveram sua parecela de dúvida.A empresa, como facilitadora deveria ter resolvido esse problema dos dígitos no primeiro episódio de erro referente a tal procedimento. Quanto ao Garcez, achar que seu emprego é mais importante que a vida de um ser humano é banal. Esse tipo de pensamento é lastimável. Se ele estivesse disposto a receber ajuda e evitar o acidente, assim que descoberto o erro, ele teria retornado a Marabá, e não continuado o trajeto em um lugar em que nem ele sabia. Ele ainda menosprezou a opinião de um passageiro. Foi arrogante sim! Achou que não era passível de erro. Errou também a torre ao liberar diminuição de altitude e pouso, mesmo sem visualização do boing e com problemas na comunicação.Houve erro das três partes. Mas dizer que o cmte não teve culpa e tachá-lo como um “coitado” já é demais.

CLOVIS ARAUJO CRUZ30 de julho de 2014 at 14:40Responder

O COMANDANTE GARCEZ FOI REALMENTE UM HEROI E DEVERIA SER TRATATO COMO TAL NA EPOCA DO ACIDENTE.
O PILOTO DE UM AVIÃO TEM QUE SER MESMO O SR DAS AÇÕES POIS ELE É RESPONSAVEL PELOS PASSAGEIROS E TRIPULAÇÃO EM UM VOO.E NÃO PODE DAR ATENÇÃO A QUALQUER OPINIÃO MESMO ESTANDO ERRADO.
O GARCEZ NÃO MATOU NINGUEM E SIM SALVOU AS PESSOAS QUE SOBREVIVERAM GRAÇÃS A DEUS E SUA PERICIA PARA POUSAR UMA AERONAVE NA SELVA A NOITE.
É UMA PENA QUE TENHA SIDO CAÇADO POIS DEVERIA ESTAR POR AI AINDA PILOTANDO NOS CÉUS DO MUNDO.

MANUEL22 de outubro de 2014 at 19:15Responder

Não acho o piloto arrogante. Acho que o comportamento dele (quer dizer não aceitar que ele está errado) é mais frequente no Brasil do que poderia parecer. Eu percebo que esse tipo de comportamento encontra-se muito enraizado (muito mesmo) em toda a cultura brasileira.

sergio4 de novembro de 2014 at 22:27Responder

Eu conheço Cesar…tenho o.prazer de conhecer ele que faz um ano…sou itsliano e tenho 20 anos amenos que ele..descobri esta historia hj..e nao sei nada de pilotar aviao..mas pra mim ele salvo 42 pessoas..todos cometimos erros mas infelizmente tem horas que um erros pode gerar uma catastrofe..ele erró…mas ele pouso aquele aviao.eu respeito muito o Comandante

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